Práticas agroecológicas 05: SISTEMAS AGROFLORESTAIS

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As árvores são grandes aliadas do clima, conservação da água e berço da biodiversidade, além de produtoras de energia renovável e madeira. Mas são, principalmente, grandes produtoras de alimentos. Várias espécies nativas como a pupunha, a araucária e outras podem produzir, por área, mais que a soja ou outras culturas anuais de grãos. Outra grande vantagem é que as árvores não precisam ser plantadas todos os anos, é só cuidar e o manejo é muito simples, também não corre muitos riscos com secas ou excessos de chuva.

Até o momento foram implantados dois sistemas agroflorestais nos Bairros, estes estão despertando interesses e servindo de referência. Foram iniciadas ainda diversas outras práticas de sistemas agroflorestais, especialmente no trabalho de recuperação das matas ciliares. Um SAF é a estratégia traçada pela Serra Acima para garantir simultaneamente a recuperação de espécies florestais nativas com a geração de renda (monetária e não monetária), resultando na produção de alimentos diversificados na mesma área de plantio.

Agrofloresta é a integração e interação entre preservação/ conservação, recuperação e produção. Em sistemas agroflorestais é possível programar e tornar uma floresta altamente produtiva. Para isso é importante potencializar a produção das árvores nativas locais, e introduzir algumas espécies de outras regiões que se adaptam às condições locais. As agroflorestas são sistemas agroecológicos altamente desenvolvidos e sustentáveis.

Princípios da Agrofloresta

a)      Sucessão Vegetal

A AGROFLORESTA é uma das formas mais eficientes para recuperar ambientes já degradados, reconstruir a fertilidade natural do sistema e retomar a evolução. Uma evolução que começa com capins e herbáceas, passa pelas capoeiras, chegando às florestas.  

b)      A Biodiversidade de Espécies

A diversidade de espécies nos sistemas (plantas, microorganismos, insetos, animais, etc.) é fator fundamental para sua própria sustentação e continuidade.

c)       Proteção do solo e prevenção da erosão

Cada gota de água de chuva quando cair direto no solo vai causar erosão. A erosão leva terra para o fundo dos rios fazendo com que eles tenham menos água e menos peixes.

A erosão leva embora também as sementes e os nutrientes (Nitrogênio, fósforo, cálcio, potássio…), além de compactar o solo. Assim, a erosão vai diminuir a produção da lavoura.

d)      A Fertilização Natural dos sistemas

A natureza levou milhares de anos para construir a fertilidade que deu início a nossa agricultura. Os “solos de mata” eram férteis e rendiam boas produções, sem “inços”, pragas ou doenças. Uma prova da capacidade de recomposição da fertilidade natural era o sistema de pousio com capoeiras, seguidas de novos cultivos.

A produção de folhas, galhos e outros materiais (biomassa) alimentam e aumentam a vida no solo. Assim, ao passar dos tempos vai aumentando a fertilidade natural e a bio- estrutura do solo.

A implantação de um sistema agroflorestal pode se dar em diversas situações e condições. Nas lavouras ou pastagens ou pomares, com o plantio gradativo de plantas para produção de biomassa e árvores, nas entrelinhas, junto com as culturas ou pastagens. Quando for em capoeira, inicia-se com uma roçada seletiva e implantação de outras espécies desejadas. Quando numa situação já de floresta, realiza-se desgalhamentos, roçada seletiva, e implantação de novas espécies.

                A agrofloresta é um sistema de produção que vem se mostrando muito adequado à realidade e condições da agricultura familiar. São excelentes os resultados das experiências que já estão em andamento em várias experiências, em diversas condições e climas nas diversas regiões do e da América Latina.