Prospecção de áreas rurais em Cunha para restauração florestal

Proprietários rurais da Bacia do Jacuí e equipe da SerrAcima. Centro Comunitário do Bairro Paiol, março de 2022

A SerrAcima deu início a um trabalho de prospecção e cadastramento de proprietárias e proprietários rurais em Cunha que tenham interesse na restauração florestal em sua propriedade.

Essa iniciativa partiu da necessidade de identificar propriedades parceiras para submeter um projeto ao edital FEHIDRO 2022. Esse edital do Fundo Estadual de Recursos Hídricos proverá recursos financeiros e técnicos para ações de restauração florestal que favoreçam a produção e a qualidade das águas do Rio Paraíba do Sul.

A definição de áreas e beneficiários do projeto foi realizada entre janeiro e março de 2022. O Centro Comunitário do Bairro Paiol, na zona rural de Cunha-SP, acolheu uma roda de conversa entre proprietários de terras na Bacia do rio Jacuí. A maioria relatou querer cercar e restaurar áreas de nascentes, alguns relataram experiências de cercamento que levaram ao aumento da disponibilidade hídrica em curto período de tempo, além de crescimento espontâneo de árvores como aroeiras, cambará e alecrim do campo.

Dúvidas sobre legislação ambiental como as medidas de áreas para restauração obrigatória em Áreas de Proteção Permanente (APPs), foram esclarecidas pelos técnicos da SerrAcima, Leonardo Varallo e Aline Caltabiano.

Vale salientar a presença das mulheres como representantes das propriedades e defensoras das ações de restauração no território.

Com essa primeira rodada de prospecção e cadastramento de áreas para restauração já foram incluídas 9 propriedades com potencial de participação nesse 1o edital do Comitê de Bacia do Paraíba do Sul para o exercício 2022. As áreas que não atenderam os critérios para inclusão neste edital poderão ser foco de outros projetos.

A SerrAcima continua mantendo abertas as inscrições para visitas técnicas de prospecção de áreas para organizar um cadastro de proprietários interessados em ser parceiros de projetos futuros.

Para maiores informações, entre em contato por WhatsApp (12) 99259-0343 e e-mail (serracima@serracima.org.br).

Ou venha conhecer a sede da SerrAcima, na rua Jose Flamino Barbosa, 142. Parque Nova Cunha. O escritório fica aberto das 9 às 13 horas, de segunda a sexta feira.

A semeadura direta por meio da muvuca de sementes é usada pela primeira vez em Cunha-SP.

Nesse início de 2021, a SerrAcima está atuando em parceria com a Iniciativa Caminhos da Semente, para promover a restauração de 1 ha de Mata Atlântica por meio da semeadura direta, também conhecida por muvuca de sementes. Essa experiência faz parte do Projeto de Pesquisa FAPESP 2018/17044-4/Conexão Mata Atlântica, que tem como objetivo avaliar o crescimento de espécies florestais.
A recuperação da vegetação nativa, também chamada de restauração ecológica, é parte de uma estratégia regional de revitalização da bacia do Rio Paraíba do Sul que abastece os grandes centros urbanos de São Paulo e Rio de Janeiro, bem como de uma estratégia global de combate à mudança climática e alcance dos demais objetivos da Agenda 2030. A SerrAcima, pioneira na recuperação de nascentes e no fomento à transição agroecológica no município, traz agora para Cunha esse novo método de restauração ecológica – a muvuca de sementes.

Sementes antes de serem misturadas para formar a muvuca, na sede da Serracima,

Segundo a Iniciativa Caminhos da Semente, a semeadura direta consiste no plantio de sementes com diversos ciclos de vida em altas densidades, de modo a desencadear o processo de sucessão ecológica. Além de contribuir com serviços ecossistêmicos, esse método de restauração é inclusivo e gera benefícios sociais, econômicos e culturais ao agregar conhecimento e mão – de- obra locais. Além disso, fomenta uma cadeia de coletores de sementes muitas vezes protagonizada por povos indígenas, quilombolas e agricultores familiares que comercializam essas sementes para os projetos de restauração.
Essa parceria possibilitou o plantio de 71 kg de sementes de 93 diferentes espécies como as florestais, Ipê, Jacarandá, Jatobá, Tingui, Suinã, Guapuruvu. Além de sementes de ciclos anuais e de adubação verde, como a crotalária, a mamona, a abóbora, o feijão de porco e o guandú.
O contexto em que a muvuca foi utilizada em Cunha mereceu um cuidado especial em relação ao sistema de plantio. “Por serem áreas com grande declive, em encostas de morros, escolhemos utilizar o sistema de semeadura direta em covetas com espaçamento 1,0m x 1,0m”, diz a Tecnóloga em Agroecologia, Marccella L. Berte, responsável pela execução técnica do projeto no município. Para o preparo do solo, a SerrAcima recrutou e treinou uma equipe de trabalho de moradores do município que nunca haviam trabalhado em projetos de restauração como esse. A participação das/dos proprietárias/os das áreas, seja na realização dos plantios ou com contrapartidas em oferta de alimentação e pagamento de mão de obra,foi fundamental para viabilizar o projeto.

As ações em campo contaram com a colaboração de voluntárias como Claudia Riquelme, para quem a muvuca de sementes é linda e perfumada, algo que ela nunca tinha visto antes. “Foi muito emocionante e incrível”.
Em Campos Novos, no sítio Nossa Senhora da Aparecida, os agricultores familiares Maria Helena Amorim e Joaquim Jacinto de Amorim sonham em fazer a água brotar novamente de uma grota. Mesmo com a restauração da nascente em curso, já cercada e em processo de regeneração natural eles decidiram restaurar a área de contribuição para aumentar a capacidade de infiltração de água da chuva. A muvuca foi plantada numa área de 3.240m² e parte da contrapartida de Maria e Joaquim foi o cercamento da área, que fica acima da nascente onde antes era pastagem.
No Bairro Santa Cruz, Fernanda Carvalho deu início à restauração ecológica de 6.260m² do sítio Terra Lila. A muvuca de sementes foi implantada em uma encosta de morro para controlar uma erosão que contribui para o assoreamento do Rio Jacuizinho. Sua intenção é ampliar essas ações, em parceria com a SerrAcima e com a comunidade, contribuindo para a revitalização da bacia do Jacuí.

O projeto continua, mas já temos muito para comemorar. Concordamos com Giovana Paula de Oliveira Pereira, voluntária no plantio de muvuca, para quem “a população deveria se voluntariar, pois [esse projeto] só irá trazer coisas boas pra cidade e pra gente também”. Esperamos, junto com Tarcísio Rabelo da Silva – que disponibilizou 500m² de sua pequena propriedade urbana para a restauração ecológica – que mais pessoas estejam interessadas em ampliar ações como essa, que melhoram a qualidade ambiental e contribuem para o bem estar coletivo.